Todos os anos ocorre em várias cidade do Brasil a chamada “Marcha para Jesus”. É um evento que é organizado um grande parte por igrejas pentecostais e neopentecostais. Durante a marcha é percorrido um trecho da cidade e são realizadas orações por temas importantes da atualidade, tudo isto acompanhado por eufóricos trios elétricos.

Na cidade de Belém, a marcha foi realizada dia 28 de Maio percorrendo os principais pontos da cidade de Belém, saindo da escadinha do cais do porto seguindo Av. Presidente Vargas, Av. Nazaré até São Braz.

Em um primeiro momento, olhando os anúncios dos organizadores, a marcha parece conter motivos “nobres” e preocupação com o futuro moral e social do Brasil, entretanto, com um olhar mais atento, percebe-se intenções mais latentes das igrejas a frente da organização do evento.

Geralmente essas igrejas são adeptas de uma teologia da prosperidade, são teonomistas (imposição FORÇADA de valores cristãos em uma sociedade não cristã), tem alguma ligação com políticos evangélicos ou partido político. Detectando esses pontos é possível verificar que a tal “Marcha para Jesus” acaba transformando-se na “Marcha do orgulho evangélico” (como bem disse Marcos Botelho).

E qual o problema disso? O problema é que uma grande quantidade de pessoas viram massa de manobra nas mãos de pastores-políticos (existe isso?) para atingirem objetivos como: Eleger candidato X Por que ele “representa o povo de Deus” (como se Deus precisasse de político para defender seu povo e seu reino Espiritual), e aumentar suas fortunas através da extorsão por conta do poder que se tem sobre os fiéis.

Traduzindo em termos: boa parte do câncer da igreja evangélica brasileira é reproduzido e fortalecido nesses eventos, com líderes carismáticos, de linguagem popular, usando a histeria coletiva e a força da multidão como reforço de um sentimento de certeza. Como se por serem muitos e terem líderes influentes, detém a razão sólida pela qual marcham de lugar nenhum para nenhum lugar.

Cansados de ficar de braços cruzados em casa, um grupo de amigos cristãos se reuniu para tentar fazer a grande massa pensar:

Confeccionamos cartazes simples, mas com mensagens bem diretas no
intuito de provocar reflexão sobre o tipo de cristianismo que as pessoas
estão vivendo, sem ofendê-las, sem machuca-las, sem ‘bate-boca’ apenas
levamos os cartazes em silêncio, contrastando com a multidão festiva e
emocionada. Esperávamos tanto uma receptividade pacífica como também
alguma hostilidade contra nós. Felizmente, a reação das pessoas foi de
surpresa, parecia que a maioria nunca tinha visto frases como aquelas,
vimos rostos estarrecidos, surpresos, pensativos e alguns bravos
também :p. Tivemos apenas duas pessoas que geraram pequenos problemas,
mas nada grave, também recebemos abraços e palavras de apoio de outras
pessoas. No final, duas pessoas que iam pela primeira vez na marcha
acabaram juntando-se aquele pequeno exército porque reconheceram como
justas as nossas reivindicações e isso foi muito bom 🙂 – Ademar Albuquerque

Porque como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês! (Rm 2:24)

Foi uma mistura de tristeza e indignação. Apesar de a marcha contar com vários cristãos de corações sinceros, toda aquela multidão estava servindo de massa de manobra e trampolim para os pastores e artistas ‘gospeis’. Mas o que esperar de um evento que tem como objetivo demarcar território evangélico em um jogo político contra o movimento LGBT? A democracia brasileira permite esse tipo de manifestação, entretanto, fica a pergunta: Será que nós evangélicos precisamos mesmo demarcar território? Porque tanta indignação contra homossexuais havendo pecados tão hediondos dentro das próprias igrejas? Há um livro que já está sendo esquecido que diz que ‘o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça’ e ‘ a nossa luta não é contra carne nem sangue’ – Diego Neri  

Jesus veio para tirar o seu pecado, não a sua inteligência!

Porque entendemos que o Evangelho precisa ser simples e só faz sentido no outro. A marcha concentra esforços e recursos em um evento que se esgota em si  e é vazio de sentido. Se a marcha é para Cristo, porque as pessoas correm atrás de trios elétricos ao invés de pensarem em soluções para os problemas da cidade? Por que os cristãos participantes da marcha não estão seguindo em direção aos mais necessitados? (Tg 1:27) – Vitória Mendes

A “Marcha para Jesus” não nos representa porque desonra os cristãos que dia a dia têm feito suas marchas silenciosas renunciando a si mesmos para viver o evangelho digno, não nos representa porque desonra os cristãos que têm marchado para a morte em países onde são perseguidos e não possuem liberdade religiosa.

A Marcha para Jesus não nos representa porque desonra o sacrifício do nosso Senhor, que foi por amor e não por dinheiro!

Muito se tem falado de evangélicos na mídia. Mas são esses os cristãos que a sociedade precisa? Assim como Lutero se levantou contra a venda de indulgências, está na hora dos verdadeiros seguidores de Cristo se levantarem contra a manobra política, e serem o verdadeiro espelho visto pela sociedade.

 

“Uma marcha silenciosa que acontece no nosso dia a dia. Silenciosa, porém eficiente e suficiente.” Ailton Gonçalves D. Filho

“A verdadeira ‘Marcha para Jesus’ não acontece com data marcada, guiada por trios elétricos, ao som de gritos de guerra, mas acontece todos os dias, pelas ruas, avenidas, corredores de supermercados, shoppings, bancos, onde gente conquistada pelo amor de Jesus são conduzidas com evidência do poder do Evangelho.” Hernandes Dias Lopes

Voltemos ao Evangelho puro e simples!

Clique nas fotos abaixo e confira:

 

 

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