Ouvi dizer durante o mês de setembro, ou se você quiser que eu seja mais técnica, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio deixou a AIDS para trás no ranking, e é a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. Anualmente, 25 milhões de jovens tentam suicídio e cerca de 1 milhão chegam a consumar o ato.

Se essa informação tivesse chegado a mim antes dos 17 anos, eu muito provavelmente não entenderia o motivo que levaria jovens, cheios de vida como eu, a suicidarem-se. “São pessoas que não entendem o que estão fazendo no planeta Terra”, “Não têm Deus”, “Não têm alegria no coração”, sim, esses pensamentos passaram pela minha cabeça. Mas felizmente essa notícia chegou a mim aos 23 anos de idade, depois da síndrome do pânico ter batido na minha porta e se instalado por três anos (18-21).

Os motivos que desencadearam? Problemas familiares. Eu não era mais frouxa do que ninguém, mais fraca do que ninguém, mais imatura, ou qualquer coisa parecida. Eu adoeci, e que saber? Ninguém desconfiou.

Por fora eu continuava feliz, exagerada e extrovertida como sempre fui. Continuava minha rotina normal, saudando com “bom dia” quando passava e dizendo “Tudo bem e você?” no automático, como sempre. Por dentro (Vou utilizar uma figura que para mim, ilustra bem o que sentia): Minha alma estava dentro de um poço, sem luz, que não tinha fundo e não parava de cair por um segundo, não tinha descanso, e um sentimento de impotência incontrolável por não ter onde se apoiar para deixar de cair.

OS SINTOMAS

Diariamente eu tinha mania de perseguição, e achava que as pessoas queriam me fazer mal o tempo todo. Estava presente nos lugares apenas fisicamente, por que minha mente estava sempre em outro lugar. Eu não conseguia fugir do desejo morrer, quando acordava, ele já estava lá, e mesmo conversando com amigos, ele só sumia por alguns breves segundos. Quando estava na rua, queria desesperadamente chegar em casa, e quando estava em casa, precisava desesperadamente sair. Não tinha descanso, não tinha trégua.

Não dormia durante semanas (A noite é muito longa quando se está acordado, sabia?) e quando dormia, tinha pesadelos. Via coisas que não estavam acontecendo e ouvia vozes, andar de ônibus era uma tortura, ouvir barulhos altos (seja do que for) era desesperador, e por isso eu sentia muita sensação de desmaio durante a viagem. Lutar contra sua mente é muito cruel, e às vezes (na maioria delas), parece ser uma batalha impossível de ser vencida, por isso (E QUE GRANDE TOLICE DA MINHA PARTE) eu decidi não pedir ajuda.

COMO AS COISAS COMEÇARAM A MUDAR

Todos esses transtornos começaram a dar sinais no meu corpo físico, mas mesmo assim, apenas as pessoas muito íntimas os notaram. As noites delirantes sem dormir começaram a me causar olheiras e aparência de cansaço prolongada, emagreci e os amigos começaram a falar das roupas folgadas e punhados de cabelo começaram a cair. Não deu mais pra esconder.

O QUE VOCÊ PRECISA ENTENDER

Eu poderia escrever capítulos aqui de situações que passei durante esses três anos, mas o que quero lembrar, é que existem pessoas que não conseguem lutar contra isso durante tanto tempo, como eu. Há pessoas que não conseguem passar anos nessa situação, nem meses, ou nem mesmo semanas. Mas, assim como eu, muitas delas decidirão não procurar ajuda, sejam por tabus, vergonha, ou por ter que ouvir  “isso é frescura!”.

ESPERE MAIS UM DIA

Foi pensando nessas pessoas que o MOVIMENTO ESTUDANTIL ALFA E ÔMEGA decidiu realizar o evento “Espere Mais Um Dia”, com universitários da Universidade Federal do Pará. O evento foi realizado no bosquinho da UFPA e contou com música, frases do dia para incentivar as pessoas, jogos de imagens (conhecido como Conecta), muita conversa, e foi fundamental ouvir as pessoas, seus pontos de vistas e relatos. Enfim! Amor de ações, não só de palavras!

Os universitários que passavam era desafiados a deixar um pouco a correria da universidade e responder a um questionário sobre o suicídio e se envolver no ambiente de reflexão. Segue abaixo o resultado da abordagem:

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COMO EU VENCI:

Para mim, foi fundamental o apoio da minha mãe e de amigos íntimos. Também como cristã, eu aprendi com Jesus Cristo o valor da vida. O VALOR DA VIDA! Quem melhor para falar de vida, do que alguém que abriu mão da sua em favor de outras? “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.” (João 1:3,4). Não uma oferta de auxílio religioso, mas de VIDA à todos os homens! Uma vida com identidade, liberdade e que vale a pena ser vivida, mas não para seus próprios interesses.

Não sei se conseguiria passar por tudo isso de novo, mas com certeza, hoje enxergo que passei para poder ajudar outras pessoas (E estou aberta a conversas sobre o assunto). Sou uma pessoa muito mais corajosa do que jamais fui!

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Todas as fotos são de acervo pessoal.

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