É certo, que a bola chamada “Wilson” do filme “O Náufrago” já é mundialmente famosa. Mas, antes de apresentar o Wilson que eu conheço, creio que valha a pena fazer um paralelo entre os dois.

       O personagem principal Chuck Nolland, interpretado por Tom Hanks, ilustra perfeitamente o homem da modernidade: Engenheiro bem sucedido, o relógio e o trabalho ditam as regras da sua vida, discursos motivacionais, e quem sabe até, posso dizer, de relacionamentos frios e conexões sem profundidade com as pessoas. “Time is money!” Já dizia o tio Sam. Em uma viagem a trabalho, cujo avião cai e ele encontra-se em uma ilha deserta, se vê longe das regalias da cidade, das pessoas e da rotina. Segue-se, então, a luta pela sobrevivência.

       Chuck, ao perder tudo que o colocava no patamar de “bem-sucedido”, traz o questionamento do que, afinal, é “ser humano”, e aonde encontramos nosso significado e valoração?! E eis que surge a bola de vôlei mais famosa do mundo, a qual ele a nomeia de “Wilson”, e será sua única companhia durante quatro anos.

        Wilson nesse contexto representa, nada mais nada menos, que a necessidade, inerente ao ser humano, de relacionamentos significativos. Chuck utiliza Wilson para enfrentar a solidão e manter a sanidade mental, mostrando que ele não era tão independente, assim, não é mesmo? Pois é, independente da posição que estejamos, todos nós temos necessidade de pessoas, de relacionamentos, de amizades verdadeiras, para se desenvolver, para amar e para ser. “Nenhum homem é uma ilha!” já dizia John Donne.

          Trazendo isso para o contexto universitário, fica claro que nosso valor e significado não reside em nossa realização profissional, ou em aprovações em matérias. E foi nesse contexto universitário que eu conheci o outro “Wilson”, menos popular, mas que fez toda a diferença para mim.

              A Cru Campus (Comunidade acolhedora de estudantes apaixonados por conectar pessoas a Jesus) é um movimento estudantil cristão que fez uma campanha sobre coisas que os “Wilsons” passam na Universidade Federal do Pará: “Wilson dorme nas aulas”, “Wilson atrasa os livros da biblioteca”, “Wilson se sente sozinho”, entre outras. E não demorou muito para que as pessoas começassem a se identificar. Na correria do dia-a-dia, eu podia passar e ver que havia alguém que passava pelas mesmas coisas que eu…

        Wilson é, na verdade, um personagem fictício que levou o nome de um dos integrantes do movimento Wilson Jefferson, meu amigo da Química, a quem também tive o prazer de conhecer no ambiente universitário. O desfecho dos mistérios que rondavam a identidade de Wilson (Cru Campus) foi revelado em dois saraus na universidade, que traziam para nós reflexões sobre amor, e principalmente, sobre para onde todos os Wilsons apontam e refletem sua imagem. Figura perfeita do conhecimento da solitude da nossa alma, e que confere a nós nosso verdadeiro significado (Assim como o Wilson do Náufrago): Jesus Cristo.

             Dentre todas as diversas facetas daquilo que Wilson representa, a Cru Campus é, para mim, a lembrança de que minha existência sempre será mais do que minha profissão, Wilson Jefferson (e convivendo com ele todos os dias em sala, nunca vou esquecer essa campanha haha)  é a lembrança de que fui criada por um Deus relacional, e preciso de relacionamentos para crescer saudável. E, por fim, Jesus Cristo é o significado que encontrei para minha árdua caminhada.

             Nós somos mesmo todos “Wilson”, como a hashtag que ficou famosa, e é lembrar de não esquecer que sempre há outros “Wilsons” pelos corredores com as mesmas necessidades que nós, afinal, não há nada definitivamente inédito debaixo do sol, não é?

#SomosTodosWilson #CruCampus #WilsonFazTeuNome

Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todos são parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por vós.

John Donne

 

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