O tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2017 foi: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, isso traz a discussão da inclusão social (principalmente, claro), mas não apenas no contexto educacional, e sim em todas as esferas da sociedade. Desta forma, sendo o evangelho o convite para nós “pensarmos fora da caixa”, o “sal que funciona fora do saleiro”, isto inclui o cristianismo e o evangelho de Jesus Cristo.

O MINISTÉRIO DE JESUS E A INCLUSÃO

       Algo visto bem claramente no ministério de Jesus foi que a mensagem de boas novas não apenas deve ser anunciada, mas entendida. Estabelecer a comunicação é essencial e centrado no outro (ouvinte). Aliás, tudo no Evangelho é centrado no outro, né? O Evangelho é sobre pensarmos menos em nós mesmos, e neste contexto, sabemos que é dever do interlocutor (aquele que fala) se fazer compreendido para que o diálogo seja bem sucedido, e não o contrário.

    Jesus sabia disso, e não apenas chegou até a explicar suas parábolas, mas contextualizou a mensagem com elementos do cotidiano dos ouvintes para que compreendessem o tesouro e a profundidade do que estava sendo anunciado. Jesus mergulhou no universo das pessoas (Emanuel: Deus conosco), e agiu de maneiras diferentes (até incompreensíveis) com cada um que se achegou e ele, dando às pessoas o que elas precisavam para compreender, ou seja, supriu suas NECESSIDADES.

       Mas e quando na multidão havia alguém que não poderia ouvir a palavra anunciada? Certa vez, trouxeram um surdo a Jesus:

Ali algumas pessoas lhe trouxeram um homem que era surdo e mal podia falar, suplicando que lhe impusesse as mãos. Depois de levá-lo à parte, longe da multidão, Jesus colocou os dedos nos ouvidos dele. Em seguida, cuspiu e tocou na língua do homem.
Então voltou os olhos para os céus e, com um profundo suspiro, disse-lhe: “Efatá! “, que significa: Abra-se.
Com isso, os ouvidos do homem se abriram, sua língua ficou livre e ele começou a falar corretamente.
Jesus ordenou-lhes que não o contassem a ninguém. Contudo, quanto mais ele os proibia, mais eles falavam.
O povo ficava simplesmente maravilhado e dizia: “Ele faz tudo muito bem. Faz até o surdo ouvir e o mudo falar”. (Marcos 7:32-37)

         Será que Jesus, o Deus encarnado, que acalmou os mares, e curou pessoas com simples palavras pronunciadas sobre o poder de Deus estava agora utilizando de um truque mágico? Certamente, não! Jesus estava dando ao surdo o que ele precisava. Jesus estava comunicando ao surdo de maneira que ele pudesse compreender o que Deus estava fazendo em sua vida.

        Em “a Cruz do Rei” Timothy Keller expressa bem isso, mostrando como Jesus se identifica profundamente e emocionalmente com o surdo: Primeiro retirando-o do meio da multidão, uma pessoa como ele já havia chamando atenção demais durante sua infância e adolescência, e Jesus recusa-se a fazer disso um espetáculo. Tocando suas orelhas e sua língua, como uma maneira de dizer: “Vou dar um jeito nisso pra você!”,  e por último, Jesus suspira profundamente e olha para o ceú, como quem diz: “Agora vamos olhar para Deus, é Ele quem fará isso”. Que fantástico!

Quando nos deparamos com pessoas com necessidades especiais, mesmo o evangelista mais experiente pode hesitar, ficar nervoso ou evitá-los por sua própria insegurança. Como pregar o evangelho às pessoas especiais, portadoras de deficiências? Muitas vezes a atitude é de dó – não pela condição espiritual, mas pela condição física. Entender que em um mundo cheio de pecado, “normal” não existe, mas que todo ser humano tem a mesma necessidade essencial, faz com que o evangelista quebre as barreiras e alcance os portadores de necessidades especiais. (Rick McLean)

 

A comunidade cristã deve reconhecer sua responsabilidade de estender a mão àqueles que portam deficiências, especialmente à luz do chocante passado. Precisam saber que Jesus Cristo oferece a eles a mesma esperança que oferece a outras pessoas na sociedade. É necessário amor e compaixão – não dó infame. (Rick McLean)

 

Outro pressuposto errôneo é que pessoas portadoras de deficiências não consigam entender o evangelho. Descobri que sabem muito mais do que nós pensamos. Muitos talvez não consigam articular com clareza a sua fé, mas entendem além daquilo que lhes atribuímos. (Rick McLean)

          Em um mundo caído como o nosso, não existe nada “anormal” que tenha fugido do alcance de nossa queda. Ninguém está em condição superior a do outro, e espiritualmente falando, todos somos portadores de necessidades especiais! Precisamos de Jesus Cristo para nos livrar de nossa surdez, cegueira e falta de compaixão. O Evangelho só é boa notícia quando pode ser compreendido, e ser como Jesus também é se identificar emocionalmente e cognitivamente com as pessoas.

        “Abre-te!”, “Vem para fora!”, “Abra os olhos e veja!”, “Por que choras?”, “Levanta-e e anda!” “Perdoados são os teus pecados!”, “A tua fé te salvou!” São boas notícias para todos os povos, de todas as línguas, nações e necessidades! Vem e crê!

Logo a fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus. Rm 10:17

REFERÊNCIAS

Keller, Timothy. A cruz do rei: A história do mundo na vida de Jesus / Timothy Keller; tradução Marisa K. A. de S. Lopes. São Paulo, SP; Edições Vida Nova. 2012.

Evangelismo: Compartilhando o evangelho com fidelidade/ John MacArthur e os pastores e missionários da Igreja Comunidade da Graça; tradução de Elizabeth Gomes. São José dos Campos, SP; Editora Fiel. 2012.

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