Nos últimos anos é frequente a tentativa de revisionismo teológico de termos cristãos. Bom, isso não é novo, mas nesta eleições o revisionismo deixou a academia e alcançou as massas.

Historicamente, a igreja tem denominado o sofrimento vicário de Cristo e de todos os seus discípulos como “MARTÍRIO”. Inicialmente mártir significava “TESTEMUNHA”, pessoa que sofre pela mensagem de Deus, explicitamente um sofrimento de causa teológica, devido a fé no conjunto de ensinos sobre Deus, inclusive sobre a natureza de Jesus como Deus. Este último sendo o motivo pelo qual os judeus o mataram (Atos 2:22-23). A igreja cristã adotou este termo constantemente ao longo dos séculos. Seja na ceia solene ou em pregações, dizemos que Jesus foi martirizado, pois entendemos que o sofrimento de Jesus é de causa teológica e não política. Alguns vão dizer que o surgimento de Jesus diminuía o poder do sinédrio corrupto e dos fariseus. Sim, mas a escritura toda, antes mesmo do acontecimento, relata que a negação e o sofrimento de Cristo seria por dureza de coração, por pecaminosidade e por uma visão incorreta sobre Deus, ou seja, é muito mais uma questão teológica do que política.

Eu vejo pessoas que não são cristãs, às vezes que até mesmo ridicularizam a fé cristã e tem muito pouco ou nenhum conhecimento dos termos, pressupostos e afirmações teológicas dando novo sentido ao sofrimento de Cristo, utilizando o termo: Tortura. Podemos dizer que Jesus foi torturado? Sim, mas quando essas pessoas o fazem é com o objetivo de alinhar o sofrimento vicário de Cristo na Cruz pelos nossos pecados, ao sofrimento da Ditadura no Brasil. Sim, houve sofrimento na ditadura, e tortura. Mas não são a mesma coisa.

As pessoas que utilizam o termo tem o único objetivo de trazer para dentro do seu espectro político algo muito maior e muito mais importante para toda a humanidade. Aqueles que sofreram na ditadura, sofreram pela liberdade por opor-se a um governo tirano. O sofrimento de Cristo foi para nos libertar da escravidão do pecado e da condenação e eterna (com isso não estou sendo insensível com o sofrimento daqueles que foram maltratados na ditadura).

Se você, cristão utiliza o termo tortura para o martírio de Cristo, peço que analise o que o termo está transmitindo. Pois é uma tentativa de tornar o Messias, o Cristo Bendito eternamente, Amém! Numa figura muito mais política, e foi esse o erro judaico ao esperar o Messias como um ser político, assim, distorcendo a cristologia e culminando na negação do filho de Deus (não digo que você está negando Jesus, mas está num caminho perigoso). Caso você conviva em ambiente eclesiástico há bastante tempo, e tenha participado do momento solene da ceia e de várias pregações sobre o sofrimento de Cristo, deve ter percebido que utilizamos o termo martírio e não tortura. Não use de desonestidade intelectual, ou mesmo idolatria política, a ponto de criar uma definição mais política da qual Cristo desejou que fosse conhecido. Mas caso você não havia prestado atenção, ou é novo na fé, por favor, olhe mais para a nossa história, nossos cultos, nossas doutrinas.

Caso você não seja cristão e está lendo este texto e preza pelo respeito a todos, independente de cor, raça, sexo, RELIGIÃO. Por favor, respeite as nossas doutrinas, evidentemente fui muito superficial aqui (é o que cabe), mas todos esses termos e essas doutrinas são importantes para nós. Não ressignifique dois mil anos de estudos intensos de teólogos que deram a vida por isso, simplesmente porque você quer apoiar seu posicionamento político, ou atacar o adversário. Respeite pelo menos pessoas que morreram (e morrem) por afirmar a Cristologia em todos os seus aspectos, inclusive que o NOSSO CRISTO é Deus, e esta é uma afirmação essencialmente teológica e não política.

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